Hierarquia

Já me perguntaram se eu gosto ser Sacerdote. Refleti bem antes de responder: “Se sou um é porque eu gosto e a Deusa assim quis!”.O Neopaganismo apresenta facetas interessantes e que fogem ao tradicionalismo das religiões. Embora não exista nenhuma regra escrita que lhe dê o poder, o S. é quem dirige uma Tradição e sua palavra tem a força da decisão. O fato peculiar é que ele ou ela não é nomeado e muito menos eleito: ele(a) tem seguidores que acreditam e aceitam o que pregam. Queiram ou não, ele(a) é o chefe da comunidade que se abriga sob seu círculo.

Vale dizer que igualmente inquestionáveis são as decisões do S., por se entender que eles(as) interpretam a vontade dos deuses responsáveis pela Tradição. O cuidado com um círculo é muito complexo por haver a necessidade de uma permanente assistência aos estudantes, iniciados e sacerdotes e a própria dinâmica dos trabalhos que está sempre em permanente ebulição e por isso fica sob austera vigilância. Para isso existe toda uma hierarquia dentro de um círculo.

Entre essa hierarquia não pode haver discordância de filosofia. A fidelidade entre eles tem que ser absolutamente homogênea. Temos que entender ser impossível a unanimidade no conceito e no entendimento da religião, e ela pode ser discutida e modificada, principalmente no Neopaganismo que ainda não está bem definida em suas regras, mas sempre em nível interno da hierarquia.

Discordâncias e não aceitação do mando levam os adeptos a uma ruptura da hierarquia capaz de fazer o papel do palanque de uma cerca. Mandar e ser mandado não podem ser confundidos com prepotência e submissão. Com o tempo aprendi que quem não sabe obedecer jamais vai poder mandar. O soldado faz continência ao sargento, o sargento ao tenente, o tenente ao capitão, o capitão ao major, o major ao coronel, o coronel ao general e o general à Bandeira Nacional.

Na minha reflexão descobri que antes eu tinha compromisso espiritual somente comigo, hoje tenho com todos que são adeptos da Tradição. E as pessoas às vezes não entendem que eu sou igual a qualquer um, com todas as emoções, acertos e erros de um Sacerdote, e o que me difere é que sou talvez mais experiente e obrigado a cumprir o compromisso que assumi perante a Deusa. E todo(a) S., entre o dever de cumprir as suas obrigações e magoar um membro de sua comunidade, fica sem opção: o compromisso com a espiritualidade tem que prevalecer. Tenho acertado comigo mesmo: quando eu sentir que estiver, por um motivo qualquer, atrapalhando a Tradição, entregarei meu cargo ao meu sucessor(a).

  • A Wicca não tem um órgão centralizador  felizmente, e por isso não existem regras para a abertura de uma Tradição. Alguém se torna S. quando sente o chamado da Deusa. Com sua personalidade, modo de ser, idéias sobre a religião e filosofias, é seguido por outros que acreditam no que diz e faz e se subordinam, espontaneamente, ao seu mando. São opções livres e da vontade de cada um.
  • S., dirigente ou diretor, cria os ritos de acordo com sua linhagem. Por isso que se diz Tradição Diânica, Tradição Gardneriana, Tradição Faery, etc.
  • A rudeza das minhas palavras não deve ser considerada como desrespeito aos meus irmãos e irmãs, mas entendida como fidelidade à boa organização de uma Tradição.
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