Dianismo pés no chão

Para que a liberdade seja absoluta, ela vai até onde inicia a liberdade de outro. O respeito, a educação, a honestidade e o bom senso são os reguladores do comportamento de todos que estiverem sob a tutela da T.D.E. .

Não gosto de segredos e adoro desmistificar o que por conveniência está mistificado por alguns pregadores carentes da ousadia. Não posso entender uma religião que não possa caminhar com a modernidade, a honestidade e coragem para mudar conceitos, descobrindo e adotando novos valores.

O que hoje é tido como certo pode ser modificado diante de uma evidência mais forte como descobertas arqueológicas. Entendo o erro, mas não aceito a exploração da religião.

Neste texto estarei modestamente divulgando um curso de orientação a todos os nossos adeptos e também a quem queira dele tirar algum proveito através do que aprendi sobre o exercício da minha trajetória espiritual e sacerdócio.

Locais de culto 

 O culto e a prática aos deuses dividem-se em três partes: a física, a mediúnica e a espiritual. Física é o local onde se pratica os ritos, mediúnica são os iniciados e espiritual os Daimons (espíritos, deuses e toda força invisível que atua sobre a forma física e a mediúnica).

No local indicado é onde se praticam os ritos espirituais, no fim vai ser igual a todos, tendo em vista que os demais podem diferenciar em número de adeptos, tamanho ou Deusa/Deus Patrono/Matrona, mas são semelhantes. Normalmente os ritos são sempre feitos na natureza ou dentro de um local (templo) para podermos nos proteger das intempéries do tempo; fazemos os ritos dentro de um círculo mágico onde invocamos os Daimons de cada direção e demais atos necessários para o rito principal. No meio do círculo mágico há nosso altar e é dele que vem a força necessária para o nosso rito. É de bom tom que todas as vezes que você ver um altar já montado e consagrado cumprimente-o mentalmente, pedindo proteção a Deusa do altar e a Deusa Matrona pessoal, pois ele é a extensão e representação da Deusa, é um ato simples mas quando feito com amor não deixa de ser uma demonstração de respeito com Ela.

Parte espiritual 

A Constituição Brasileira garante a liberdade do culto das religiões. Vejam como a liberdade é difícil, pois uma Constituição tem que garanti-la, quando deveria ser o direito de qualquer cidadão sem a necessidade de estar sob a tutela de regras inseridas em Leis. Com a constituição em baixo do braço, a criação dos Templos fica subordinada a pequena esfera burocrática e a vontade de um grupo e Altos Sacerdotes e Altas Sacerdotisas. Eles variam nos rituais, mas um dos princípios já consagrado na Wicca é que todos têm a proteção dos 5 elementos e seus ritos sempre são tutelados pela Deusa / Deus invocado.

Cânticos 

O conjunto de instrumentos formam a música dos cânticos utilizados nos ritos . Tradicionalmente a base dos cânticos são instrumentos de percussão e vozes. Eu entendo a música como um elemento de ligação com outras dimensões, uma harmonia vocal e um bem estar que se transformam em extase. Por isso os nossos cânticos está sendo enriquecida, além do tambor xamânico, teremos outros instrumentos como o bumbo, o pandeiro, o chocalho e outros. Acho fundamental a qualidade dos cânticos e do bom gosto na escolha das músicas cantadas, inclusive músicas reproduzidas nos ritos.

Deusas e Deuses 

Para entendermos as Deusas e Deuses, temos que imaginar que todo o cosmo influencia o planeta Terra. Negar a influência dos astros em nossas vidas deitaria por terra a força que as fases da Lua exercem em todos os setores da Natureza, inclusive não haveria mais os lunáticos, aquelas pessoas que mudam de comportamento conforme a pressão da Lua. Vamos dividir esse Infinito em doze partes, e dar a cada parte um nome:  Héstia, Atena, Ártemis, Apolo, Hefesto, Hera , Poseidon, Ares, Afrodite, Hermes, Deméter, Zeus.

Héstia é a vibração do fogo doméstico, Atena atua na sabedoria, Artemis atua nas matas e animais, Apolo atua sobre o fogo, luz da verdade, Hefesto atua no ferro e no fogo criador, Hera atua na água fluida, os sentimentos puros, Poseidon atua no mar, Ares atua no fogo, fogo transformador, Afrodite atua na água fluida, desejos, Hermes atua no ar, Deméter na terra e Zeus atua em todos os elementos através dos outros.

Essas forças cósmicas são os Deuses e Deusas, o panteão cultuado na T.D.E. é o grego, mas outras tradições fazem de forma diferente e tem outros panteões.

Ofertas 

A comida que se oferece aos Deuses é um grande campo de força. Muita gente pensa que a finalidade de uma oferta é dar de comer aos espíritos. Erro grosseiro porque os deuses não tem nenhuma necessidade de comidas humanas, por não terem mais o corpo físico. A oferta é um ritual que se faz com elementos que vibram na sintonia dos deuses ou espíritos, que eles usam para criar um campo de força. A oferta reúne a força de quem o faz, da deidade e dos espíritos que vêm aceitar e se comprometer a executar o rito. Muitas pessoas que por um motivo ou outro não possuem o tempo para fazerem um ritual completo fazem apenas e com muita eficiência a entregas das ofertas e alcançam seus objetivos.

Em momentos de dificuldade, para a cura da saúde, o equilíbrio e a paz familiar, levantar as forças pela energia, e muitas outras necessidades, uma oferta bem feita e direcionado à Deusa certa resolve o problema. Pela quantidade de situações fica difícil enumerá-las nesta oportunidade. Cada objetivo tem que haver um rito certo, com a Deusa especialista, e tudo isso ainda sob a inspiração de uma intuição.

Vou fazer uma observação de grande importância: os adeptos do Neopaganismo pela sua religião que manipula e usa a natureza  para seus ritos e objetivos é um ecologista em potencial. Qualquer material não biodegradável não deve ser deixado no local da entrega da oferta. Se isso não for possível a pessoa tem a obrigação de ir um ou dois dias após recolher toda a oferta deixada. Normalmente fazemos as ofertas em um prato, bandeja, etc. Mas recomendo que ao invés do prato, que se faça um canto bonito com folhas naturais largas. Bebidas como sabemos devem ser vertidas diretamente no solo perto da oferta.

  • Toda oferta deve ter um objetivo específico. Não se faz uma oferta só por fazer.
  • Deve-se imaginar que durante a construção de uma entrega o amor e carinho daquele que o está construindo, de certa forma transmite sua energia. As vibrações da Deusa ajudam a aumentar a energia da oferta que será somado com a da finalidade que for utilizá-la.
  • A intuição deve fazer parte da construção de uma oferta. Desde que não fuja da vibração da Deusa a quem se entrega, o resto vem por intuição.
  • O adepto só se tornará independente, ou seja não vai depender da orientação de outra pessoa, quando ele souber manipular os elementos que constroem um campo de força.
  • Quem faz uma entrega com materiais que possam agredir a natureza não deixa de ser um baita egoísta que não se importa com a humanidade e muito menos com a natureza que é uma extensão da Deusa.

Greco-Romano, sincretismo religioso

Sabemos que conforme foi crescendo a Roma e seus domínios ao chegaram na Grécia e depararem com os Deuses Helenos os romanos ficaram apaixonados por tais deidades que acabaram por incorporar tanto deidades como aspectos dessas deidades com as deidades de Roma, não só os aspectos religiosos mas também éticos foram incorporados no dia-a-dia dos cidadãos romanos. A influência foi tão forte que todos os rituais são muito parecidos, até as imagens das deidades são parecidas. Para evitarmos confusão com o culto e liturgia para com as deidades não usamos desse sincretismo. Abaixo segue um quadro demonstrativo do sincretismo, esta tabela não é unânime, é apenas demonstrativo e pode estar incompleta:

Grego – Romano

Zeus – Júpiter

Hera – Juno

Poseidon – Netuno

Demeter – Ceres

Hades – Plutão

Hestia – Vesta

Afrodite – Vênus

Ares – Marte

Artemis – Diana

Atena – Minerva

Dionisio – Baco

Hefesto – Vulcano

Hermes – Mercúrio

Práticas Paralelas 

Um adepto não tem a necessidade de ser leal a T.D.E. em questões de participar apenas das atividades da Tradição. Mas devemos  tomar cuidado com alguns pontos, tais como:

  • Os iniciados devem seguir a risca a regra de não passar o nosso ofício a não diânicos tais como simbologias, rituais, magias, etc;
  • Não misturar simbologias e ofícios de outras tradições com a simbologia da nossa. Existe uma coisa chamada egregora, e até os rituais e simbologias de uma tradição contém a sua própria egregora, afinidade e poder. Sendo assim cada ritual e simbologia de uma determinada tradição tem sua própria egregora e em certos casos não se misturam por questões de afinidade energética. Por tanto quando fizer um ritual, magia Diânico não utilize nem misture simbologias de outras tradições para mantermos nossa egregora e nossa afinidade distinta e única. Cada ritual, magia é completo não existe necessidade de  incrementar outros elementos neles. O mais importante em cada ritual, magia é a sua intenção e energia desprendida para alcançar o objetivo.

 Muitas vezes alguns adeptos utilizam de magias de outras tradições para fazer alguns rituais em casa, não existe problema algum; mas quando for utilizar-se dos rituais e magias diânicos não é interessante fazer essa mistura. Em nossos rituais coletivos não utilizaremos nenhuma simbologia que não seja Diânica e Grega, sugestões são sempre bem vindas, todas serão analisadas e incorporadas em nosso ofício conforme for o caso.

Os adeptos que jogam cartas de baralho ou tarô, runas e outros tipos de atividades esotéricas remuneradas têm a permissão de fazê-lo porque não deixa de ser um treinamento para as suas mediunidades. A bem da verdade sei que essas pessoas cobram esses trabalhos, mas não os penalizo por entender que se alguém quer saber de seu passado ou seu futuro tem mais é que desembolsar dinheiro. Conheci uma cigana que ao perguntar o porque de cobrar ela me respondeu com muita graça: “A cigana conhece o passado e o futuro dos outros para poder viver o seu presente.”.

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